+55 11 98439 7810|wilson@ioparlo.com.br

Transformando experiência em saber compartilhado

Quarta-feira, 23 de Maio de 2018

Core business: estratégia e realidade

Estabelecer a disciplina de execução do core é a atividade mais importante de um líder, segundo Ram Charam, um dos maiores gurus de gestão da atualidade

Toda vez em que o tema é buscar especialização em soluções de serviços, ou, de certa forma, “terceirizar”, a pergunta básica ainda se resume a “para quê?” ou “por quê?”. A questão se coloca de diversas formas, seja em pauta de reunião de board ou estudo de case em escolas de negócios.

Na tradução em inglês, core business significa “a parte central ou nuclear de um negócio ou de uma unidade de negócios”. Só que, muitas vezes, esse conceito é confundido com “modelo de negócios” – entenda também o que é plano de ação e plano de tração. Como essa ideia se torna muito ampla, eu definiria como a “sacada” do negócio – o que torna o conceito mais complexo, pois dois ramos de atividade podem ter core diferentes.

Por exemplo, analisemos duas empresas que produzem comida pronta. Apesar de atuarem no mesmo ramo de atividade, a empresa 1 poder ter o “core business” como sendo “congelados” e, a empresa 2, “vegana”. Para ambas, o ramo seria “alimentação”, mas o core business das duas seriam distintos, mudando a abordagem e a maneira de gerir os serviços.

Portanto, o tema pede que entendemos e dominemos, cada vez mais, a essência do que se está em jogo. No caso, garantir que a atividade-fim se traduza estrategicamente e taticamente ao core business da empresa.

Os tempos mudaram. As exigências de amplitude de visão aumentaram ainda mais. Os modelos de negócios possuem velocidade espantosa, distância e alcances inimagináveis. Até porque o inimigo (concorrente), se não é ainda totalmente conhecido, torna-se mais difícil de ser reconhecido.

A contratação de uma empresa especializada que ofereça inteligência em soluções de determinadas atividades, produtos ou serviços, em nada altera a identidade e a titularidade de um negócio principal.

Na prática o que se vê? Independentemente da competência de uma empresa especializada em inteligência de serviços e soluções, mostrando visíveis vantagens, encontramos ainda considerável resistência por parte de empresários e gestores. O conjunto de argumentações costuma se pautar de observações como insegurança jurídica, distância das bases de operações, entre outras, incluindo que os custos envolvidos não compensam os benefícios.

Estudos nessa área sinalizam, um certo disfarce, diria até uma blindagem, para esconder, por vezes, a preferência pela manutenção das atividades-meio das operações internas. Acredito, contudo, que enquanto a comparação estiver somente na linha de custos internos contra custos externos, a conta pode até não fechar. Por isso, é razoável realizar previamente um balanço do que se vai ganhar e perder.

A importante mensagem é a de que é preciso estar focado na principal atividade que é a venda, a distribuição e o relacionamento com o cliente. E, claro, monitorar os movimentos visíveis da concorrência e antenado com tecnologias disruptivas relacionadas ao seu segmento.

Desta forma, vale mesclar estratégia e realidade, seguindo o olhar e as observações de Ram Charam, um dos maiores gurus de gestão da atualidade:

Todas as empresas possuem processos de Estratégia, Pessoal e Operações. Porém, poucas administram esses processos em profundidade e sinergia e obtém resultados significativos.
Muitas vezes esses processos-chave estão descolados da realidade diária do negócio ou não se instagram entre si.
Polêmicas a parte, mais do que ganhos de produtividade, deixo sobre a mesa um convite à vigilância em garantir excelência e competitividade na execução do plano estratégico.