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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

A influência do conselho

O verbo aconselhar tem sido cada vez mais assimilado pelo mundo corporativo, por valorizar o poder do conhecimento e das ideias

Os boards, ou conselhos de administração, surgiram na década de 1980 nos Estados Unidos e na Inglaterra, para alinhar os interesses dos acionistas à gestão executiva. Funcionando como uma espécie de colegiado, demonstraram eficácia e passaram a ser adotados pelo mundo corporativo afora. No Brasil, a legislação obriga as empresas de capital aberto (S.A), instituições financeiras e seguradoras a ter seus conselhos.

Portanto, um dos momentos mais importantes para a gestão é a troca de liderança dos membros do conselho. Nessas ocasiões, por conta da relevância da transição mencionada, é habitual no rol dos profissionais de análises e agências de classificação de risco, aumentar o grau de vigilância, a fim de acompanhar de perto quem vai ocupar o cargo de presidente do conselho e seus integrantes.

O que me surpreende, a cada início de ano, é notar que essa importante dança das cadeiras de grandes corporações passa despercebida nos noticiários. As atenções se voltam para saber quem trocou de time no mundo esportivo, quais são as últimas do show business, mas pouco se fala de quem vai ocupar a presidência de um conselho importante.

Ainda não desenvolvemos no Brasil a cultura do “olho cuidadoso”,  às alterações nos comandos dos conselhos empresariais. 

Os membros desses grupos, contudo, têm a missão e o desafio de influenciar estrategicamente os altos dirigentes das maiores empresas do país e do mundo.

Sabendo da imensa importância dos conselheiros, nossa advertência àqueles não tão atentos é que prestem a devida atenção a quem está ocupando essas cadeiras, é ficar alerta as mudanças, porque seus investimentos poderão, eventualmente – ou fatalmente – estar vinculados ao desempenho dessas companhias.  

Essa prática de gestão revela significativa evolução das empresas em adotar conselhos cada vez  mais profissionalizados. A iniciativa sinaliza a busca por melhores resultados, com maior nível de governança –o que igualmente indica um bom caminho para movimentos de reestruturação, ou até mesmo abertura de capital.   

Chamo a atenção também para o ânimo e a diligência dos empreendedores que lideram o grupo chamado de  “pequenas e médias empresas“. Nesse caso, os donos do negócio e os gestores não apenas percebem a importância dos conselhos, como reconhecem sua valiosa contribuição estratégica para enfrentar novos desafios.

O ato de pedir e dar conselhos é fundamental para liderar e tomar decisões com eficiência. O verbo aconselhar tem sido cada vez mais assimilado pelo mundo corporativo, por valorizar o poder do conhecimento e das ideias, para enfrentar a era da inovação radical e construir um ambiente de crescimento e perpetuidade.

Na definição dos dicionários, conselho é “opinião, aviso, parecer”, mas também sinônimo de “bom senso”. Segundo os professores Joshua D. Margolis e David A. Garvin, da Harvard Business School, o aconselhamento inteligente é mais do que distribuir e aceitar sabedoria. É um processo criativo, colaborativo — uma questão de esforço mútuo, para entender melhor os problemas e encontrar caminhos promissores a seguir. 

Por todas essas razões, o meu conselho é ficar  atento à dança das cadeiras daqueles que influenciam o seu negócio.