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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

O abre e fecha da torneira do empreendedorismo

De cada 10 empresas que abrem no Brasil, 6 delas fecham antes de completar 5 anos.

Parece que as estatísticas confirmam mais um traço característico de nosso país: os contrastes. De cada 10 empresas que abrem no Brasil, 6 delas fecham antes de completar 5 anos. Os números do IBGE valem tanto para ressaltar as discrepâncias, como para enaltecer as qualidades e a marcante personalidade do brasileiro. Além, é claro, de nossa forte representatividade na economia mundial.

Nessa dinâmica do abre e fecha da torneira do empreendedorismo, salta aos olhos o desequilíbrio no fluxo de empresas que abrem todos os anos, e as que encerram suas atividades até 2 anos de operação, segundo recente estudo do Sebrae. A pesquisa também reflete um abismo entre o sonho de prosperar e a desoladora realidade de fechar as portas. 

Mas acredite. Ainda assim, temos muito o que comemorar! A começar pela coragem e audácia dos brasileiros em empreender. Pesquisas de entidades locais e estrangeiras reconhecem o país como uma das maiores forças globais nesse quesito. Em algumas delas, até nos exibem como os “mais determinados “, a despeito de todas as conhecidas dificuldades, como mostra um estudo da startup Expert Market, do Texas

Sabemos que começar um novo negócio exige, muitas vezes, mais resiliência do que recursos financeiros. Para aqueles que planejam empreender, os planos de ficar rico podem ser rapidamente destruídos pelos obstáculos que vão surgindo, como em um jogo de videogame, desde o momento em que se registra o negócio. E não apenas no Brasil. Um levantamento realizado pela Small Business Administration, agência de fomento a pequenos negócios do governo dos Estados Unidos, evidencia que apenas a metade dos empreendimentos criados em 2013 vai sobreviver até 2018.  

As principais razões do popular “passo o ponto”, pela ordem da pesquisa Sebrae são: altos impostos, baixas vendas, problemas no financeiro e na gestão. Vale ainda considerar outros fatores que pesam na conta, como a acirrada concorrência local e global e a instabilidade econômica. 

Percebe-se também que, quando a abertura é motivada pela visão de oportunidade, ela mostra maior tempo de atividade,  porque está acompanhada de muito estudo e planejamento de mercado. Ainda assim, isso não é garantia total de sucesso. Já os casos liderados por necessidade, contam com maior nível de intuição e expectativas. Muitas vezes, nesse contexto, lá se vai pelo ralo o sonho de ser empreendedor! 

E qual é a luz? 

Penso que as entidades governamentais responsáveis pelo desenvolvimento e suporte a esse setor carecem de endereçar – reforçar mesmo – fortes investimentos, de incentivos a estudos e análises e, principalmente, criar uma base de apoio de caráter preventivo. 

Com essas medidas, seguramente, aumentaremos a longevidade das empresas na direção de potencializar os pilares de crescimento, inovação  e geração de empregos, estabilizando o fluxo da torneira do empreendedorismo. 

Cabe ainda um alerta aos que pretendem abrir um negócio. Antes de tudo, ter consciência dos desafios da jornada do planejamento da estratégia ao projeto de execução. 

Manter a chama acesa do sonho empresarial é responsabilidade de todos nós, até porque a força empreendedora dos brasileiros já percorre as veias das antigas e novas gerações.