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Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

O poder da pergunta

Perguntar é estratégico. Perguntar o quê, para quem, e por quê? Eis a questão. Algumas perguntas já nascem com imenso impacto, antes mesmo de ser respondidas

Quem de nós nunca ficou sem resposta para uma pergunta? Ou pior: respondeu de forma errada, comprometendo um objetivo pessoal ou profissional? Por mais que saibamos que cada pergunta carrega em si um efeito poderoso, não cultivamos o hábito de criar perguntas mais elaboradas – para obter respostas idem. Isso nas mais diversas ocasiões, seja no convívio profissional, acadêmico ou nos relacionamentos. 

“Boas perguntas, boas respostas”, é um dos lemas de quem vive de perguntar. Os jornalistas, por exemplo, precisam de um bom roteiro para fazer render uma entrevista. Aliás, é um constrangimento muitas vezes assistir na TV alguns repórteres fazendo as perguntas mais óbvias do mundo, em situações limite, para obter, claro, respostas tão irrelevantes quanto a pergunta feita na pressa.

Perguntar é estratégico. Perguntar o quê, para quem, e por quê? Eis a questão. Algumas perguntas já nascem com imenso impacto, antes mesmo de ser respondidas. Elas nos transportam para outra dimensão da mente, indicando o caminho da compreensão e da ação.

No livro “Perguntas poderosas”, os autores Andrew Sobel e Jerold Panas defendem que, com boa construção das perguntas, temos a chance de aumentar a eficiência profissional e pessoal, aprofundar relacionamentos, vender mais produtos, serviços e ideias, motivar o esforço do outro, e ser eficaz em influenciar clientes e amigos.

Muitos empreendedores se enganam ao pensar que o planejamento estratégico é um processo de colocar ideias no papel. O planejamento, na verdade, nasce de um questionamento. Não por acaso, Bernardo HeesCeo da Kraft Heinz e mentor da Endeavor, investe 3 semanas para fazer perguntas durante a construção do seu planejamento estratégico. “A função do líder é fazer as perguntas certas. É por isso que dedicamos uma parte do tempo para pensar nas perguntas que queremos responder”, defende ele.

No final das palestras, sempre tem uma “boa pergunta” que se destaca entre as dúvidas do público, elucidando questões que às vezes nem mesmo o palestrante havia pensado. A pergunta inteligente, portanto, é aquela que convida à reflexão e à busca de um significado mais profundo para um assunto já batido. É aquela que estimula a curiosidade e a criatividade, convida à exploração, introspecção e ampliação de possibilidades. Ou ainda expande perspectivas e traz à luz situações desconhecidas ou ocultas.

Antes de praticar a arte de elaborar uma boa pergunta, compartilho aqui uma orientação sábia e milenar: para perguntar bem, é preciso primeiro ser um bom ouvinte. Para isso, se faz imperativo treinar o que se convencionou chamar de “escuta ativa”:

·       Ouvir sem prejulgar.

·       Demonstrar quietude e respeito ao tempo do interlocutor.

·       Colocar-se no lugar do outro, procurando entender o contexto dele.

·       Interagir com o que está sendo dito para garantir plena compreensão.

Por melhor que seja a pergunta, ela sempre pode ser melhorada e potencializada. Os bons ouvintes são os mais atentos, portanto, têm a tendência de formular as questões mais pertinentes. Logo, se o ditado popular diz que é preciso pensar dez vezes antes de responder, quantas vezes devemos pensar antes de perguntar?