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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

Wilson Medeiros: “O pit stop do orçamento anual”

Na pista de corridas do mundo corporativo, o espetáculo acontece no último quadrimestre do ano, quando se estabelece o “pit stop”, para começar os estudos e preparações para o próximo ano

Na Fórmula 1, o único instante em que os carros ficam parados depois da largada – ironicamente, um dos momentos mais decisivos da prova –, é durante o pit stop. A parada para trocar pneus e reabastecer exige horas de treinamento e chega a contar com numerosa equipe. Apesar de o momento da pausa ser decidido muito antes da prova, a informação é guardada em segredo até poucas voltas antes de os pilotos se dirigirem ao boxe. 

Na pista de corridado mundo corporativo, o espetáculo acontece no último quadrimestre do ano, quando se estabelece o “pit stop”, para começar os estudos e preparações para o próximo ano ou por um período  até mesmo mais longo. A construção de números obedece o ritual de prever despesas, receitas, investimentos, resultados, entre outros indicadores, prioridades e iniciativas que vão compor a estratégia para enfrentar a arena da competitividade.

E disputar o mercado significa igualmente necessidade de  reavaliar o modelo de negócio, porque as atuações têm alcance global. O inimigo possui  calibre disruptivo e traiçoeiro e pode aparecer de forma inesperada , de onde você sequer imaginava. Às vezes chego a brincar em palestras , dizendo que   “na farmácia dos tempos atuais, até remédio vende”, em referência às mudanças em sua linha tradicional de produtos. 

Ainda que registre-se evolução na metodologia para traçar os planos para o próximo ano, não nos iludamos porque mesmo assim é possível notar  um grande número de empresas guiadas pelo  “vício da exigência do crescimento” . Traduzindo:  o famoso e conhecido  “ x%  a mais”  sobre o exercício anterior. 

Claro que o aumento pretendido pelos acionistas caracteriza o espírito empreendedor dos profissionais brasileiros na arte do “fazer acontecer” resultados. 

De qualquer forma  penso que essa dinâmica, a qual chamo de pit stop de preparação é muito rica e, adicionalmente a análise quantitativapossibilita abordar questões qualitativas, no sentido de discutir o que deu certo e o que não deu tão certo assim. Uma grande chance para confrontar o modelo convencional é caminhar para criar e desfrutar de um ambiente de “troca de experiência e conhecimento”, na intenção de ampliar a visão , para prever contratempos e reveses.

ocasião oferece ainda aberturas singulares como , por exemplo, explorar as  reclamações dos clientes, interpretando as análises e os motivos das perdas. Isso sem se limitar aos conhecidos indicadores retratados em gráficos,  que muitas vezes acabam se tornando parâmetros de aceitabilidade de ineficiência ou , até mesmo, blindagem junto aos órgãos de defesa ao consumidor e proteção de crédito, ouvidoria, entre outros. 

Ouvir a “voz do cliente” ou dos potenciais clientes (prospetcs), procurando  interpretar a mensagem através das pesquisas que aferem níveis de satisfação e apontamentos de melhorias é essencial nesse momento. E mais: estudar  e compreender os principais movimentos em seu  segmento de atuação,  em especial, sua concorrência e seus diferenciais.

A questão central é que a dinâmica para construir o planejamento anual possibilita muito mais que o arraigado culto ao crescer e crescer sobre os anos anteriores. O pit stop é uma pausa capaz também de prover lições valiosas do ponto de vista dos erros cometidos, que trazem em seu farol uma luz para cruzar a linha de chegada com segurança e boa performance.